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Notícia publicada no dia: 10/12/2015

Por que adoramos produtos customizados

Muito tempo se passou desde que Henry Ford declarou que seus clientes poderiam ter seu carro da cor que quisessem, desde que fosse preto. Ford ficaria chocado diante da possibilidade de escolha de diferentes cores, tamanhos e variedade de produtos atualmente. Um telefone celular vem em alguns modelos e cores diferentes – e se você não gostar de nenhuma delas, pode comprar uma capinha, ou até personalizar e mandar fazer a sua. 

Se antes os consumidores possuíam poucas opções de escolha, hoje eles têm até demais. O fim da padronização é a regra – a individualidade de cada um é tão prezada que queremos nos expressar em todos os fronts, inclusive no consumo. Se você possui o mesmo carro, come a mesma comida e frequenta todos os mesmos lugares que o seu vizinho, então qual é a diferença entre vocês?

A indústria da moda pegou rápido este conceito e hoje as opções de customização são enormes. Todas querem ter a bolsa-desejo, mas como ninguém quer ser igual a ninguém, hoje já é comum contratar artistas de customização para fazer com que a sua bolsa seja de fato única. Com isso, muitas mulheres são capazes de pagar quatro dígitos para terem suas bolsas de marca pintadas com seus motivos preferidos.

Marcas tradicionais como Louis Vuitton e Goyard já até trouxeram ao Brasil seus ateliers de customização nas lojas da marca. Agora, suas clientes podem mandar imprimir suas iniciais em suas bolsas, malas e pastas. Com isso, o produto ganha uma diferenciação única: não é só que você gosta dele, mas ele é só seu, exclusivo.

Se você personalizar sua bolsa ou capinha de celular, vai acabar gostando muito mais deles, por conta do senso de exclusividade. Se você se envolver no processo de customização (existe uma empresa nos Estados Unidos que permite que você “construa” o seu próprio carro em poucos dias, definindo as especificações do veículo com a ajuda de especialistas), você vai se apegar mais a ele – afinal, ele foi feito do seu jeito, de acordo com as suas preferências e você ainda participou de todo o processo.

No entanto, o equilíbrio aqui é delicado: se uma empresa oferecer poucas opções de customização, o cliente pode não se apegar tanto ao produto (e não aceitar pagar muito mais por aquilo). Por outro lado, caso as opções de personalização forem exageradas, a empresa pode acabar afugentando seus clientes.

Mas quando você pode escolher uma foto sua para usar na capa do celular, definir todas as cores do seu tênis ou encomendar a um artista que pinte a sua bolsa com suas flores preferidas, o seu consumo vira uma forma de expressão – e você dá maior valor (e aceita pagar mais) por todos estes produtos.

Post em parceria com Carolina Ruhman Sandler.