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Notícia publicada no dia: 03/12/2014

Cresce aposta de alta maior do juro nesta quarta, para 11,75% ao ano

 

 

 

Após ser surpreendido com o aumento de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no fim de outubro, o mercado financeiro já está acreditando em uma aceleração do ritmo de alta da taxa Selic. A decisão do BC sobre o juro básico da economia será anunciada nesta quarta-feira após as 18h.

Na semana passada, a maior parte dos analistas consultados pelo BC por meio da pesquisa Focusprevia uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros nesta semana, de 11,25% para 11,5% ao ano. Com isso, o ritmo de aumento, o mesmo do Copom de outubro, seria mantido. A amostra da autoridade monetária tem mais de 100 instituições financeiras.

Grande parte dos economistas, porém, já está apostando em um aumento maior da taxa Selic, de 11,25% para 11,75% ao ano, ou seja, uma alta de 0,5 ponto percentual – intensificando assim o processo de elevação dos juros. Os analistas com maior índice de acerto, inclusive, já estão prevendo uma alta maior do juro.

A curva de juros do mercado futuro, por sua vez, também já "embute" um crescimento maior da taxa básica da economia brasileira, para 11,75% ao ano nesta quarta-feira. A curva de juros é resultado da aposta no mercado futuro, com recursos, das tesourarias das instituições financeiras.

Cenário para a inflação
Mesmo com o baixo nível de atividade – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,2% até setembro, e a queda dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional), fatores que atuam para conter a inflação, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), continuam pressionando os preços. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Recados do BC
A previsão de uma aceleração no aumento de juros começou a se formar após o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, ter sinalizado, em meados de novembro, que a instituição poderá ampliar o aperto monetário caso seja necessário para domar a inflação.

"O Copom não será complacente com a inflação. Se necessário for, no momento certo, o comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a garantir a prevalência de um cenário benigno para a inflação nos próximos anos", afirmou o diretor na ocasião.

Na semana passada, ao ser confirmado para a Presidência do BC no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, Alexandre Tombini reafirmou que a política de definição da taxa básica de juros para conter as pressões inflacionárias, deve se manter "especialmente vigilante".

"Desde setembro passado, verificamos, entre outros fatores, a intensificação dos ajustes de preços relativos, a depreciação nominal do real e ajuste dos preços administrados, tornando o balanço de riscos para a inflação menos favorável", afirmou Tombini naquele momento.

Choque de credibilidade
O economista da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello, disse que está na dúvida sobre qual será a decisão do Copom. Ele afirmou que há "bons argumentos" para os dois lados, ou seja, tanto para um aumento de 0,25 ponto percentual quanto para uma alta maior, de 0,50 ponto percentual - nesta quarta-feira.

"Estou com a sensação de que vai acelerar para 0,5 ponto de aumento para tentar uma convergência mais rápida para a meta central [de inflação de 4,5% ao ano]. A mensagem para o mercado é que tem uma equipe mais dura, mais fiscalista [buscando as metas de contas públicas] pelo lado do Ministério da Fazenda e mais comprometida do lado da política monetária [definição dos juros para conter a inflação]. Seria um alinhamento para tentar dar um choque de credibilidade", declarou ele.

Segundo o economista, os preços administrados devem continuar avançando nos próximos meses, assim como o aumento recente do dólar também deve ter reflexos na inflação. "A alta do dólar é uma preocupação do governo. Na última ata do Copom, o BC deixou claro que a desvalorização cambial é algo que preocupa. E é difícil imagina que [o dólar] vá cair muito em um futuro próximo", declarou Curvello.

Ele avaliou ainda que o mais importante, neste momento, é a autoridade monetária tentar "ancorar as expectativas" de inflação para um valor mais baixo. Para 2015, os economistas, até o momento, preveem um IPCA de 6,49% - muito próximo do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro, e distante da meta central de 4,5%.